Considerações sobre o estudo “Look AHEAD”
Boa Vida

Considerações sobre o estudo “Look AHEAD”



O ensaio clínico randomizado “Look AHEAD” (“Action for Health in Diabetes”), idealizado no final dos anos 90 e com duração de 13 anos, teve como objetivo principal avaliar os efeitos de um programa intensivo de mudanças no estilo de vida na perda de peso de indivíduos diabéticos do tipo 2 com excesso de peso (mais de 4.000 sujeitos). Esse programa intensivo consistiu na prática de atividades físicas (175 minutos/semana) e dieta (1200 a 1800kca/dia), e os indivíduos do grupo controle passaram por um programa convencional de educação em diabetes. O rigoroso protocolo de pesquisa do ensaio clínico, contendo 113 páginas, pode ser lido aqui.

Hoje, ao final do estudo (alguns artigos ainda estão sendo publicados), os achados principais são os seguintes:

- os indivíduos que passaram pela intervenção (dieta rigorosa + atividade física) foram capazes de perder 5% de seu peso inicial e manter essa perda por 4 anos (o que hoje é considerado sucesso na perda de peso).

- independentemente da perda de peso, já que o grupo controle também apresentou benefícios, as mudanças no estilo de vida trouxeram vários pontos positivos aos participantes: redução de apneia do sono e da necessidade de medicação para o diabetes, melhora nos níveis de alguns exames (glicemia, hemoglobina glicada, colestertol) e na qualidade de vida como um todo.

- finalmente, apesar da perda e manutenção de peso por 4 anos, o estudo não alcançou o principal resultado esperado pelos pesquisadores: redução na ocorrência de derrames, ataques cardíacos ou morte por eventos cardiovasculares (mesmo com a melhora nos parâmetros bioquímicos relacionados com a ocorrência desses eventos).

Meu medo agora é que os pesquisadores encarem o “copo meio vazio”, ou seja: “5% de perda de peso não foi o suficiente? E se os participantes de um próximo estudo fizerem uma dieta MAIS restritiva ainda para perderem MAIS peso? Aí sim!”

O que precisamos nos lembrar é que já houve definições mais rigorosas em outras épocas para o que seria considerado uma “perda de peso de sucesso” (20% dos peso inicial, por exemplo), só que o problema é que de sucesso não havia nada! Os indivídos não conseguiam perder tanto peso e mantê-lo a longo prazo.

Talvez precisemos encarar o “copo meio cheio”, ou seja: uma perda de peso modesta (5% do peso inicial), ou mesmo mudanças no estilo de vida sem que haja necessariamente perda de peso, podem trazer vários benefícios à saúde, inclusive melhorias em alguns fatores de risco para doenças cardiovasculares (glicemia elevada, colesterol elevado).

Bom início de ano a todos!



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